Trono Manchado de Sangue

Que filme maravilhoso! Não encontro outra maneira, senão essa genérica e clichê, para comentar algo sobre ele. Em cada fotograma cintila a maestria artística desse que incontestavelmente é dos 5 ou 6 melhores cineastas de Todos os Tempos. A obra, visualmente, é um impressionante conjunto de enquadramentos perfeitos: salta aos olhos o arranjo dos elementos e a simetria; a utilização do espaço cênico e a direção de atores poucas vezes se valeram de forma tão harmônica do aspecto teatral e do puramente cinematográfico (e eu sempre disse pra mim que o cinesta que conseguisse isso seria um Deus): da solidão de uma trama macabra urdida na calada da noite, em diálogos tensos e assustadores, para os magistrais movimentos de câmera que fazem o filme andar, ter vida, viço, dinâmica.

O fantasma profetizando o destino de nossos heróis: semeando a discórdia.

Tudo permeado por um clima tenso, em meio a uma atmosfera desoladora e algo solene, de batalhas iminentes, de sinistras brumas e ventos uivantes. A ambição, a morte, o desepero e a traição pairam sobre “Trono Manchado de sangue”.

Em cada fotograma: equilíbrio e beleza que seduzem os sentidos.

Em suma, um filme transbordante! De encher os olhos. De seduzir os sentidos. A mais sedutora e irresistível parceria entre dois gênios: Shakespeare e Kurosawa.

Impressionante e inesquecível epílogo: aqui se faz; aqui se paga.

Categorias:Uncategorized

Aos amigos

Não, não é um comunicado de fechamento das atividades dessa casa. E sim para comunicar aos fiéis e queridos amigos, os 7 ou 6 leitores desse modesto BLOG, que em breve se dará meu Retorno. Tomara que seja para dividir impressões sobre um grande filme para variar (risos). Até breve, compañeros.

Categorias:Uncategorized

Musas do Blog

Um pouco de luz sobre Blog! Para ser musa do Olhar Gratuito não basta um rostinho bonito. Tem que ter talento também. Abaixo algumas delas e a citação do filme pelo qual a musa foi imediata e definitivamente eleita.

MUSAS DO OLHAR GRATUITO –  PARTE I

Basta ver Quanto Mais Quente Melhor. O resto é história. A musa nº 1.

É quando ela franze o cenho, minha gente! E sorri! Eleita por o "O talentoso Ripley".

Essa só precisava ter feito Camile Claudel e Rainha Margot e depois se aposentar!

Essa me recuso a comentar! Mas se tornou musa do Blog por "Match point".

Outro dia tem a Segunda e Última parte desse Fundamental, vital e supremo assunto.

Categorias:Uncategorized

A Morte Não Manda Recado

A princípio somos levados a acreditar que estamos diante de uma variação muito fiel do genêro Western Spaghetti, o qual, como se sabe, teve uma renovadora e decisiva influência sobre o cinema vigoroso do notável Sam Peckinpah. Pois lá estão a paisagem árida do deserto, a tempestade de areia, um homem cruel e traiçoeiramente abadonado nessa paisagem hostil por 2 de seus companheiros. E a vingança (mote de 9 entre 10 Westerns Spaghetti) contra esse ato covarde será o gancho central que norteará a narrativa.

Porém, a ilusão logo se dissipa. E nos detalhes – em tal e qual encenação, em diálogos equivocados, pueris – é que, no conjunto, o filme se perde. E quando se pretende comédia, ou comédia romântica, então a coisa desanda de vez. Fica-se a se perguntar: como o grande Sam peckinpah se prestou a isso? Certamente foi engolido pela falta de identidade de um filme que mais do que ingênuo no tom e na atmosfera, torna-se no seu desenrolar simplório e boboca. Em suma, “A morte não manda recado” (The ballad of Cable Houge, EUA, 1970) pertence àquela categoria de filmes que, vindo de onde vem (isto é, de um grande diretor), são tão ruins que chegam a constranger quem assite. Àquela categoria de filmes que conseguem nos surpreender com incongruências as mais disparatadas possíveis, seja num diálogo ou cena capital, seja no destino dado a determinado personagem. Um filme que gradativamente vai se tornando pior que os minutos precedentes. O que pode tanto surpreender quanto irritar.

Entretanto é um filme a que se assiste! Aqui e ali desde o começo, e apesar de tudo, percebe-se certa ingenuidade e pureza na caracterização dos personagens, certa moralidade utópica, que de alguma forma seduzem. Possui um quê nostálgico de Sessão da Tarde juvenil perdida no tempo. Há a poesia e a beleza do deserto.  Há a poesia e a ilusão do amor puro e romântico entre o explorador vagabundo e a bela prostituta. Há o sonho de uma vida melhor para os combalidos personagens. Há a remissão e a boa ação na hora do esperado acerto de contas no epílogo. Todavia, é no ordenamento e orquestração desses elementos como narrativa que a construção se mostra equivocada, frouxa, absurdamente inverossímil e inacreditavelmente sem graça, apesar de certa intenção nesse sentido. Vale como curiosidade. Para constatar como um roteiro cinematográfico e seus respectivos diálogos podem ser tão ruins.

Categorias:Uncategorized

A Casa do Cemitério

Eu desconfiava que o dia em que iria me deparar com um filme ruim do Lucio Fulci (afinal ninguém é perfeito) haveria de chegar, e chegou em grande estilo com esse A casa do Cemitério (The house by the Cemetery, 1981)! Gostaria de saber as circunstâncias em que ele foi concebido, pois só consigo aceitar que somente algum fator externo muito forte, seja ele lá qual tenha sido, tenha levado o homem a assinar isso aqui. Terão sido obrigações contratuais com a extinta Fulvia Films? Terá sido o temor das conhecidas dificuldades que o diretor enfrentava na época de terem seus filmes produzidos que o levou a filmar in loco qualquer oportunidade que surgisse? Pois aqui se sente isso claramente. Parece um filme concebido no automático. Longe, muito longe do vigor e da impulsão criativas características do subestimado mestre. E o espantoso nem é o roteiro ser ruim e forçado, sem pé nem cabeça (mais do que o normalmente esperado nesse tipo de filmes) e cheio de buracos, com pontas que jamais se completam. O espantoso é saber que o próprio Fulci co-escreveu o roteiro! Não, meus irmãos, algo teria havido!

A fantasminha que se comunica com nosso pequeno herói.

A trama, em resumo, é o seguinte: um professor universitário se muda com a mulher e o filho de uns 5 anos para uma velha mansão isolada para terminar uma espécie de pesquisa histórico/científica iniciada por um colega e interrompida com o suicídio desse, após a morte da família em circunstâncias não muito bem explícitas. Instalando-se na mansão, misteriosos e assustadores eventos começam a ocorrer. O garotinho tem o poder paranormal de se comunicar com uma menina morta que desde o começo do filme iniste em adverti-lo de que sua família não deveria se instalar na mansão. Como se vê é obvia a alusão ao clássico “O iluminado”, do Kubrick. E esse ponto de partida realmente é animador.

Horrenda criatura: monstro, zumbi e canibal!

Porém, ao se instalarem na casa é que não somente os problemas da família se iniciam. Os graves problemas do filme, infelizmente, também. Não se trata de ser demasiadamente exigente com esse tipo de obra, claro. Quanto mais sendo de um cineasta que estou aprendendo a admirar, mas a sucessão de incongruências e furos na verossimilhança mínima requerida em qualquer tipo de filme aqui são tão gritantes e o desenlace das cenas tão bisonhas, apelativas e injustificáveis que se acaba por perder completamente a paciência. No fundo o filme é todo construído em função de expor a criatura medonha, mostruosa e canibal que ‘soluciona’ e justifica o filme. Pior que não soluciona ou justifica nada. Somente motiva sequências básicas e absurdamente automáticas com o intuito de causar medo. As situações no geral aqui tornam-se enfadonhas e cansativas pois não há inventividade nem variações na exploração do roteiro. Fica-se girando em círculos e em certo momento a coisa toda se torna muito muito cansativa. Ao menos o filme tem somente 86 min.

Cara a cara com o Mostro do Porão: aí não tem pra onde correr.

A casa do cemiterio só não é um filme completamente descartável porque, afinal de contas, ainda é um filme do Lucio Fuci, ora bolas. Aqui e ali dá sim pra perceber uma sombra da velha habilidade em construir atmosferas ou um ou outro belo enquadramento típicos do velho mestre. E juntando esses cacos dá para ir levando até o fim. Desfecho que (Última cena mesma), aliás (justiça seja feita), é admirável. Mas, realmente, muito pouco para o que se esperaria no total. Realmente só posso acreditar que o velho mestre estava de má vontade aqui. Ainda bem que logo a seguir ele, novamente feliz e filmando com todo o vigor, nos brindaria com o exultante “The new York Ripper”.

Categorias:Uncategorized Tags:

Vítimas de uma Paixão


Em primeiro lugar é ótimo o mote desse filme: uma criminosa que, respondendo ao anúncios da ‘seção sentimental’ dos jornais, encontra-se com homens e depois os assassina na cama. Entra em cena, então, uma dupla de detetives, formada pelo insólito par Al pacino/John Goodman para investigar o caso. O primeiro tem uma boa idéia: publicar um falso anúncio para tentar chegar a alguma suspeita. É um plano meio mirabolante, visto o leque gigantesco de opções, porém o Frank keller vivido pelo Pacino, após se encontrar com várias ‘candidatas à suspeita’, acaba cruzando com uma loira reluzente e sensual (Ellen Barkin) e, à medida que se envolve e se  apaixona por ela, mais e mais indícios que condenam a moça pelos crimes investigados vão surgindo.

O que dá veracidade a um enredo que tinha tudo para cair em previsíveis clichês e faz desse Vítimas da paixão (Sea of Love, EUA, 1989) um grande filme? Primeiramente, a abordagem intimista da vida pessoal do detetive Frank keller, vivido pelo Pacino. Frank, a par de ser um policial, é somente mais um entre as centenas de milhares de solitários da grande metrópole. Recém-saído de um casamento fracassado, entrega-se à bebida e à isônia. Ao iniciar seu relacionamento com a misteriosa loira, vai sendo criada uma elaborada atmosfera de moderno filme noir. Temos uma Nova York fantasticamente filmada em grande parte em externas noturnas, que servem à perfeição para mostrar a vida solitária da sua fauna notívaga (sintetizada no breve e belo prólogo ao som vibrante e triste do saxofone do Trevor Jones).

Vitimas de uma Paixão, portanto, é acima de tudo um drama romântico com pano de fundo criminal. Não é um thriller propriamente dito, daqueles tão típicos dos anos de 1980. Pouquíssimas são as “cenas de ação”, há somente três tiros de revólver durante todo o filme (para se ter uma ideia). E nada de perseguições ou algo parececido. Todavia, contrariando nossas (piores) expectativas, o filme aos poucos vai crescendo diante de nós. Isso se dá sobretudo pelo envolvimento emocional do espectador com as grandes e inspiradas perfomances do casal da trama. Al Pacino e Goodman quando estão nos seus melhores dias (como é o caso aqui) dispensam apresentações. Entretanto, quem rouba a cena é Ellen Barkin. A moça nem é tão bonita. Mas sua interpretação é tão espontânea e eletrizante: ora descontraída, ora tensa (e acima de tudo sensual), que sua simples aparição em qualquer ponto do filme incendeia a tela! E com o aumento dos indícios de sua participação nos crimes investigados pelo seu namorado Frank Keller (Pacino), a tensão e o suspense só tendem a crescer.

A direção “invisível” e discreta de Harold Becker, esse artesão medíocre e burocrático da Indústria, nem tinha como comprometer a manipulação de elementos tão promissores. Provavelmente deve ser o melhor trabalho dele. Um “falso” thriller, é verdade. Porém tão ágil e envolvente, com um roteiro tão bem construído, simples, preciso e emocionante que ao fim só podemos, satisfeitos, bater palmas para esse “Supercine” de luxo!

Categorias:Uncategorized Tags:

Centenário do Imperador do Cinema

Hoje o Magnífico Akira Kurosawa faria 100 anos de idade. Contudo, viveu o bastante (88 anos) para brindar a humanidade com algumas das mais belas e inesquecíveis imagens que o cinema já produziu em todos os tempos.

"brincando" de Deus no set do inacreditável "Ran".

É difícil apontar o maior filme dentre sua extensa filmografia, mas sem dúvida após Rashomon raramente o mestre errou a mão.

Cena da épica batalha na chuva em Os sete Samurais: insuperável.

Os Sete Samurais: dramaticidade intacta 5 décadas depois.

Fez possivelmente um dos 10 maiores filmes de todos os tempos (Os sete samurais, 1954). E o que seria do Western-Spaghetti sem Yojimbo? Quer dizer, não seria, né? Pois Yojimbo inspirou dos pés à cabeça o igualmente genial Leone para conceber o que, todos sabemos, foi a pedra fundamental de todo esse sub-gênero subversivo (Por um punhado de dólares, 1964).

Yojimbo: amoral, cínico e violento: o pai dos cavaleiros solitários.

O samurai errante vendo o circo pegar fogo depois de armar a confusão.

E existe algum filme mais dolorosamente belo e trágico do que Ran? Se tiver me digam. Então, palmas para o mestre!

Kagemusha: parábola sobre o Poder tem visual deslumbrante.

Ran: a melhor adaptação de Shakespeare feita para o cinema!

A impressionante sequência da derrocada do castelo vale pelo filme todo.

Categorias:Uncategorized
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.