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Mad Max

Qual o gênero cinematográfico por excelência? Aquele que permite não somente uma inesgotável liberdade de criação de situações como liberdade para se esbaldar no uso dos recursos da linguagem fílmica? Eu aposto em dois: o Suspense/horror e o Western. Ambos, para serem bem resolvidos e passarem credibilidade, necessitam, como se sabe, se desenrolar em territórios meio que paralelos à realidade ou normalidade (no caso de filmes de terror) – e nem estou me referindo propriamente ao horror fantástico – ou deslocados no tempo, longe do que conhecemos hoje como civilização (no caso do Western). Então de certa forma tudo é permitido, pois se está diante de uma realidade insólita, com códigos próprios e bem limitados e definidos.

É nessa dimensão paralela, digamos assim, que se desenrola a trama desse alucinante “Mad Max” (AUSTRALIA, 1979). Vejo-o, para começar, como uma genial transposição do universo e dos elementos do Western para o campo de ação de um filme futurista. É preciso ter em mente o território onde se desenrola os eventos e o drama de Mad Max para atestar sua credibilidade e seu brilho. É o território à margem da civilização, o território isolado dos meios de comunicação, e longe do braço do Estado (se é que há algum no referido contexto, além do Departamento de Polícia). Ou seja, o terrítorio por excelência, dos western. É aqui onde vamos encontrar a gangue de “motoqueiros nômades”, que reina e domina as estradas, vivendo sem rumo, sem motivo e sem destino. Roubando, estuprando, barbarizando geral. O caminho deles cruza com a Lei quando um carismático integrante do bando, logo na abertura do filme, é perseguido e morto pela Polícia. E as coisas realmente ficam pretas para ambos os lados, quando o parceiro do “mad” Max (o herói vivido pelo mel Gibson) é barbaramente assasinado pela gangue.

Eis aqui, a meu ver, o ponto chave do filme. Pois é a apartir desse instante que veremos incorporados ao filme, ao que até então se configurva como “apenas” um ótimo filme de ação, elementos tanto do drama – como o afastamento voluntário do agente Max – como, sobretudo, vai dar oportunidade para George Miller criar a sensacional sequência da estadia na casa de campo que culminará no ápice da aventura. Miller nos brinda, nessa referida sequência, com belas e angustiantes imagens (o passeio na floresta, o banho no mar, a perseguição), carregadas de tensão, medo, suspense, humor negro, drama e puro terror. Parece um milagre, mas sim, coube tudo isso nesse momento definitivo da obra.

Dupla da pesada em ação. Cores berrantes predominam no filme.

Por absorver, enfim, características natas desses dois grandes gêneros que é o terror e o western, e proporcionar uma montanha russa de sensações, que vão desde o riso nervoso à tensão da pura violência, e isso por meio de imagens belíssimas (o filme restaurado ficou uma maravilha), Mad Max representa um dos pontos mais altos e inesquecíveis do moderno cinema de ação e aventura. Entretenimento e emoção em medidas perfeitas e geniais. Um clássico para todo o sempre!

O batismo de fogo do herói. Torna-se frio e amoral. Nasce uma lenda.

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  1. 02/03/2010 às 20:37

    Além de todos esses elementos citados por você no seu belo texto eu colocaria ainda as influências de HQs e da cultura Punk, que depois acabariam eles mesmos influenciados pelo universo de “Mad Max”! Num caso típico de retroantropofagismo!Isso sem falar no ambiente futurista, pessimista e amoral (puro Spaghetti Western da melhor estirpe!). Só não é o melhor filme de Miller pois, ao meu ver, ele conseguiu se superar em “Mad max 2″… Abraços…

    • 02/03/2010 às 23:43

      Ora, ora, ora, é animador ouvir isso. Se o primeiro já achei sensacional, praticamente perfeito, fico cá tentando imaginar o que teria feito do segundo um filme melhor. É que só agora, depois de velho (rs), tou conhendo essa série. Não vi quando jovem. Mas sei por alto que no Terceiro episódio a série degringolou de vez, dizem que é horrível, você já viu, Blob? O que me diz?

  2. 02/03/2010 às 21:21

    Concordo. Caso raro em que a sequela supera o original.

  3. 03/03/2010 às 11:19

    O terceiro é bem meia boca, mas dá para ver…

  4. 03/03/2010 às 13:01

    Eu também não vi o 2 ainda! Detalhe que o 1 eu não tinha em boa conta, e inclusive não revi ainda, mas um dia desses, testando um div-x que baixei, fiquei com os olhos grudados na tela. Estou louco pra rever, ainda mais depois de ler o texto do Demofilo.

    • 03/03/2010 às 17:17

      Herax, aposto minha reles reputação como palpiteiro de filmes como você revendo hoje esse filme vai adorá-lo. A gente muda, voce sabe, não os filmes, hehe.

  5. 03/03/2010 às 17:26

    Putz, também recomendo fortemente a continuação. Mad Max é bem legal, mas Road Warrior consegue ser bem superior! Um dos melhores filmes do subgênero (pós apocaliptico)já realizado! Tão influente quanto Fuga de Nova York!

    • 03/03/2010 às 18:10

      Já tou à cata dele. O problema é que na Locadora onde pego o filme não para lá!!! Que coisa heim!

  6. 05/03/2010 às 14:27

    Gosto muito do personagem Mad Max e de como ele evoluindo, os dois primeiros filmes são muito bons, o segundo é um classico do pós-apocaliptico, mas tenho um carinho especial pelo primeiro. O terceiro é uma zona, ficou uma verdadeira bagunça.

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