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A fúria

Em todos os sentidos, “A fúria” (The Fury, EUA, 1978) é uma falsa promessa. Temos um início bastante promissor e empolgante, em que o integrante (Kirk Douglas) de uma Agência de Espionagem dos EUA, atuando no Oriente Medio, é alvo de uma farsa promovida pelos próprios colegas com o intuito de raptar o filho dele. O rapaz é paranormal, tem poderes telecinéticos ou algo que o valha, e isso, evidentemente, desde que devidamente adestrado, pode ter algum fim para os planos do Governo.

Em outro núcleo de ação, somos transportados para os EUA onde é mostrada uma jovem com poderes semelhantes ao do rapaz. Ela é mandada para uma espécie de escola do ‘Professor Xavier’, onde deverá aprender a controlar os próprios poderes, mas logo passa a ter visões sobre o que teria acontecido com o rapaz lá do começo do filme, que depois da cena de abertura simplemente sumiu do mapa. Logo depois o caminho dela se cruzará como o do agente que sofreu traição e ambos se aliam para tentar salvar o rapaz.

Logo no início tem um ótimo tiroteio: falsa premissa.

Brian DePalma comprova algumas coisas muito importantes com esse filme. A primeira é que nem sempre o domínio da gramática de fazer filmes e um talento inquestionável para dirigir um filme são suficientes para criar algo bom. E olha que antes desse filme eu era o primeiro a acreditar que imagens, quando bem filmadas e orquestradas, no mínimo serviriam para prender a atenção. No fundo essa máxima ainda vale, e até se aplica aqui; mas o sentimento de desperdício e desapontamento, (não, estou sendo bonzinho demais) quero dizer, a raiva que fica depois de se ter assistido a um conjunto tão grande de bobagens como as contidas nesse filme é tão grande, tão grande, que tive que respirar fundo e contar até dez senão fazia uma besteira. Que que isso, DePalma? Logo você!

Bons enquadramentos em prol do vazio narrativo.

Sim, esse é o pior filme do DePalma que já vi, e eu já vi bastante coisa, deve faltar uma meia dúzia só pra completar o ciclo. Duvido que ele tenha feito coisa pior. No fim, é um filme sobre o nada. A baboseira sobre paranormalidade definitavamente não cativa. Devido ao tema, é impossível um mínimo de cumplicidade emotiva com os protagonistas “superdotados”. E também não é um filme sobre a busca do pai pelo seu filho. Muito menos do conflito de adequação de uma menina ao mundo hostil que a rodeia (como em Carrie). Desperdício total de película e do tempo de quem o assiste. E é só.

O melhor do filme, realmente, é quando ele acaba.

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Categorias:Uncategorized
  1. 04/03/2010 às 17:23

    Nossa, quanta fúria com esse filme! Concordo em partes com você. Não é um DePalma dos mais inspirados, mas também não é um cataclisma, pelo menos ao meu ver. E pensar que melhor coisa do filme, a morte da garota no final, foi totalmente mutilada pela globo quando era exibida lá nos anos 80!

  2. 04/03/2010 às 18:23

    Pois é, amigo. Disseste bem: fiquei furioso. Até fiquei pensando que minha reação no decorrer e no final do filme justifica o título da obra. Mas só fiquei revoltado sabe por quê? Porque o DePalma é um dos meus 10 diretores favoritos. Mas, até os mestres erram, né? Foi a primeira vez que vi esse filme, talvez se tivesse visto na adolescência, sei lá, minha reação tivesse sido outra. Porém deixe estar. Um filme é somente um filme, né, hehe. Nada como um filme (bom) após um outro (ruim). Assim até a gente aprende.

  3. 05/03/2010 às 12:27

    Esse é um dos únicos De Palma que ainda não vi… as opiniõs são bem divergentes entre os cinéfilos. Preciso ver logo.

  4. 05/03/2010 às 12:46

    Eu gosto desse filme. Só a cena do atropelamento já vale uma faculdade de cinema inteira.

  5. 05/03/2010 às 14:36

    Assisti esse filme a uns cinco anos atrás acho, pode ser mais. Possuo boas lembraças dele. Acho Brian DePalma um dos melhores diretores americanos na ativa e The Fury possui todas as suas caracteristicas, além de uma tecnica narrativa muito interessante. O fato de você não ter gostado, pode ter sido o enredo que mudou no começo e virou uma ficção sobre paranormalidade e com lidar com isso. Mas não acho um filme ruim, para mim o pior do DePalma é O Fantasma do Paraíso aka Phantom of the Paradise (1974).

    • 05/03/2010 às 18:07

      Então “A fúria” tem chances de passar adiante esse título, pois esse ainda não vi, rs. E acho que é isso mesmo que voce disse, essa virada brusca de perspectiva me torrou o saco.

  6. 06/03/2010 às 02:01

    Eu gosto desse filme. Só a cena do atropelamento já vale uma faculdade de cinema inteira. (2)

    ADORO o capanga levando os tirombaços do Kirk Douglas em câmera lenta com a música do John Williams substituindo os efeitos sonoros dos tiros. Até um De Palma médio tem momentos geniais como esses. Mas um bom filme não é feito só de momentos, concordo que A FÚRIA esteja um pouco abaixo do grande nível que veríamos em seu trabalho no futuro.

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