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Eu quero ele morto

“Eu quero ele morto” (Lo voglio morto, ITA/ESP, 1968), produzido no auge criativo dos faroestes-espaguete, possui um grande trunfo, que aos poucos vai se revelando aos olhos do espectador: a força do ACASO, que acaba sendo determinante para o destino dos personagens. Pois a princípio, quando aporta numa cidadezinha para hospedar a irmã enquanto vai às redondezas se encontrar com um velho amigo, o nosso herói Clayton não estava, evidentemente, à procura de confusão. Estava simplemente de passagem. Porém, na sua ausência, dois bandidos violentam e matam sua irmã. Típico exemplo do estar no local errado na hora errada.  Isso começa a conferir peso e verossimilhança ao enredo. Eles, os bandidos, estavam ali para outra coisa, por uma causa bem maior. Acertariam os detalhes de um grande plano com um manda-chuva local: assassinar 2 generais – estamos na Guerra da Secessão – pois disso depende a manutenção dos negócios e o aumento da fortuna desse figurão.

Nosso herói se safando de uma emboscada na abertura do filme.

Quer dizer, o bando (mesmo sem saber exatamente por quê) será implacavelmente perseguido pelo cavaleiro solitário. É como se o herói tivesse desviado completamente seu rumo devido a esse trágico imprevisto. Sentimos como se o filme decorresse à base do improviso, do puro acaso mesmo. Em determinado momento, pensamos, o simplório vingador então poderá estar diante da consumação do atentado engendrado pelo bando para matar os generais? O acaso o conduzindo a esse absolutamente imprevisto e importante episódio. O enredo é insólito e simples ao mesmo tempo. Dá segurança ao desenrolar dos acontecimentos.

Pretes a se dar mal, o vilão faz cara de coitado. Roleta russa.

E o que não faltará à aventura é o típico prato cheio que faz a festa dos degustadores de Spaghetti. Vilões sujos e perversos; amplidões desérticas; belas, maltratadas e desprotegidas mocinhas; Muitas balas e sopapos. Aliás, o ritmo de ação e aventura é frisada nesse filme: muitas vezes, podendo resolver a parada à bala, os personagens acham por bem sairem no braço primeiro. De outra feita, por exemplo, tendo a oportunidade de liquidar de vez com nosso herói, os facínoras, após lhe aplicarem a surra básica e de praxe, acham melhor amarrá-lo à uma cadeira dentro da cabana e atearem fogo em volta. Simples e essencial.

Outro belo poster do filme. Uma modesta pérola do spaghetti.

“Lo Voglio Morto” não pertence às obras-mestras do gênero, mas apresenta um conjunto tão coeso e feliz na utilização dos elementos que revolucionaram o western que o torna imediatamente indispensável. Ainda temos, nas sequências finais, a preparação para um desfecho insólito por um lado e feliz por outro. Belo Spaghetti.

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Categorias:Uncategorized
  1. 04/03/2010 às 21:40

    Um dos meus spaghettis favoritos. Craig Hill esteve quase sempre bem nos spaghettis que protagonizou. Dele recomendo também o “Per il gusto di uccidere” e “Quindici forche per un assassino”. Agora desse Bianchini para além deste filme que falas só recomendo mesmo o “Quel caldo maledetto giorno di fuoco” também conhecido como “Machine Gun Killers”. Modesto mas interessante…

    • 05/03/2010 às 02:04

      Muito oportunas suas dicas, Pedro. Muito grato. “Per il gosto…” eu tenho; os outros desconhecia, agora vou buscá-los. Fico cá a pensar quantas pérolas obscuras não existem no Spaghetti… Por um lado é bom, né?

      • 05/03/2010 às 14:41

        Existem muitas, e a medida que fores descobrindo irás te surpreender.

  2. 04/03/2010 às 22:21

    Esse confesso que não conhecia!

    • 05/03/2010 às 02:05

      Então Blob, vai ser fácil você ver. A horrenda Ocean lançou uma cópia, por incrível que pareça, de boa qualidade.

  3. 05/03/2010 às 12:44

    Eu adoro esses spaghetti-westerns “menores”. Muita gente prefere ficar só com os filmes mais conhecidos, e ignora obras como essa, o que é uma pena. O citado Per il gusto di uccidere também é interessante. Craig Hill desempenha o herói mais vilanesco de sua carreira.

  4. 05/03/2010 às 14:09

    É como eu costumo dizer pra mim mesmo, caro Herax: muito mais vale um Spagheti mediano, mas fiel às nobres características do gênero, do que muitos filmes caros e modernos feitos de uns tempos pra cá.

  5. 05/03/2010 às 14:30

    Prefiro rever o faroeste carcamano mais podre que existir do que ver Avatar, só pra citar um exemplo. Quem quiser me achar radical por isso, que ache.

    • 05/03/2010 às 14:59

      Hahaha, tá certo, Herax. Mas que Avatar em 3D foi uma coisa revolucionaria isso não se pode negar. Ocorre que um gênero como o Spaghetti é único pois reúne qualidade artística e apelo popular.

  6. 05/03/2010 às 14:44

    Esse é o melhor trabalho do Paolo Bianchini, depois desse vem o Quel caldo maledetto giorno di fuoco. Já no começo a cena em que ele esta tomando café é muito boa, coisas que só encontraremos nos Westerns All’Italiana.

  7. 05/03/2010 às 17:36

    “Quindici forche per un assassino” está no meu Top 10 do Spaghetti. Grande Craig Hill!

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