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The New York Ripper

Poucos filmes me comovem tanto como os do Lucio Fulci. Nesse aqui, por exemplo, (distante de seus ensaios “gores”) vejo uma ternura, uma paixão e uma pureza tão grandes na sua maneira de filmar! Fulci é um dos cineastas mais genuínos que conheço. Parece um deslocado, fazendo um cinema tão puro, tão sensorial, tão imagético numa época que não seja a do cinema mudo! Ele se detém na imagem com tanto prazer, tanta ânsia de mostrar – ao mesmo tempo em que pode ser tão poeticamente sutil e sugestivo!… Seu poder de síntese e a simplicidade de seus quadros sempre me impressionam. A força e a beleza e o rigor da sua encenação nada ficam a dever aos mestres consagrados. Ao contrário, chegam a superar muitos deles. Lucio Fulci é o mais injustiçado dos (verdadeiros) mestres subestimados.

O detetive e o psiquiatra montam o quebra-cabeças da investigação.

Fico me perguntando se haverá outro filme que resuma tão bem as qualdades desse genial cineasta do que esse The New York Ripper? Há sequências simplesmente maravilhosas. Há, em suma, a perfeita união entre erotismo e violência, em tons tão envolventes e realistas, que certamente pouquíssimos filmes do gênero terão alcançado. Visto que em muitos outros gialli a violência e o erotismo possuem um grafismo puramente destituído de verdadeira emoção. O contrário do que ocorre aqui. The New York Ripper nos transporta verdadeiramente para uma atmosfera de sedução, violência, erotismo e medo sob uma perspectiva impressionante, vigorosa e irresistível!

Filme possui quadros de morte impressionantes: a imagem diz por si.

E a Nova York sob o olhar de Fulci? Um verdadeiro espetáculo de luzes, sombras, cores e panorâmicas. Ainda que a explore bem menos do que gostaríamos, toda vez que aponta sua camera para as ruas e becos da cidade é como se fosse pela primeira vez – e disso resulta um frescor nas imagens que é muito raro. Essas são as prerrogativas naturais de um olhar estrangeiro sobre a cidade. A música do filme também é fabulosa. As imagens são embaladas ora por um eletrizante jazz em tom menor; ora por melancólicos solos de trompete ou, quando conveniente (nas cenas tensas e macabras), por arrepiantes acordes orquestrais! Isso é, Fulci não procura chifre em cabeça de cavalo. De um fiapo de história, do mais simples e até tosco dos roteiros, extrai um cinema básico, poderoso, belo e arrepiante. Por isso me comovo de uma forma especial diante dos filmes assinados por ele.

Um sugestivo e belo cartaz do filme.

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  1. 17/03/2010 às 14:21

    Filmão, e concordo com tudo o que voce escreveu sobre o Fulci. Procure ver todos os gialli dele, ele realizou alguns de seus melhores trabalhos nesse genero.

  2. 17/03/2010 às 15:10

    Claro, Herax. Aliás, além desse e do “Non se sevicia un paperino”, que outro giallo dele seria tão básico e prazeroso de se ver? Ou seriam esses os dois melhores?

  3. 17/03/2010 às 15:17

    Sette note in nero, Una lucertola con la pelle di donna e Una sull’altra. Tem também o Murderock, que costuma ser bem detonado pela crítica, mas eu acho bom também (sou o único a achar isso).

  4. 17/03/2010 às 15:19

    Ops, esqueci de responder sua pergunta: Non se sevicia pra mim é o melhor de todos, em relação aos outros fica dificil fazer um top, cada um tem suas qualidades.

  5. 17/03/2010 às 19:20

    O giallo mais brutal de todos! Realmente adoro esse filme!A tortura com a gilete é fantástica! E a cena de abertura com o cão levando a mão decepada na boca me lembrou Yojimbo do Akira Kurosawa, quando o samurai interpretado pelo Toshiro Mifune quando chega na cidade, com ares fantasmagoricos, a primeira coisa que encontra é um cão passando… com uma mão na boca! Outro filme que mostra cachorro levando uma mão é o Coração Selvagem do David Lynch! Pois é, o Kurosawa fazendo a cabeça dos doidões! Para terminar, uma das minhas bandas punks prediletas o Cripple Bastards, que são italianos, gravaram um vinil dedicado aos filmes gores,entre eles está este (com a música “Peter, the Ripper”) e um encarte dedicadoao Fulci, que os caras chamavam de “Godfather of gore”. Realmente The New York Ripper é demais! Abraços!

  6. 17/03/2010 às 19:38

    Bem lembrado, Blob: o cachorro segurando a mão que nem em Yojimbo!!! Hahaha. Você que é mil vezes mais entendido no assunto do que eu, que outros filmes do Fulci, além dos citados acima pelo Herax, é recomendável? Poxa, o cara era genial mas foi muito maltratado, obrigado a dirigir bagaças toscas no fim da carreira, mas quando acertava a gente sabe do que foi capaz carreira. Acabo de baixar “A casa do cemitério”, é verdade que é uma das obras-primas dele?

  7. 17/03/2010 às 20:31

    Um dele que eu não vi e estou procurando desesperadamente: “Cat in the Brain” em que o próprio Fulci aparece como personagem principal, há quem diga que este filme é o seu “8 1/2” hahahaha! E, claro, dizem também ser um dos seus trabalhos mais violentos! Coloquei uma cena do video retirada do youtube (para todos babar,inclusive eu que tô procurando essa obra!), junto com uma declaração do Fulci, toscamente traduzida por mim (???) no meu blog. Você já viu os Spaghetti westerns dele? Abraços.

  8. 17/03/2010 às 20:58

    Coincidentemente estava a pensar por esses dias justamente nisso, nos spaghetti que ele fez; porém, mais especificamente no Sela de Prata. Quer dizer, não vi nenhum spaghetti dirigido por ele, mas li que esse Sela é o melhor, porém subestimado. Você sabe algo a respeito, já viu esse?

    • 17/03/2010 às 21:06

      Tens de vê-los! O meu favorito é o “Tempo di massacro”, a cena em que Franco Nero é chicoteado é espectacular! Já o “I Quattro dell’apocalisse” é no mínimo estranho. O “Sella d’argento” vale como filme de época. Os outros da série “Zanna Bianca” podes deixar na prateleira.

  9. 17/03/2010 às 23:13

    Eu acho Sela de Prata um horror, prefiro mil vezes Tempo de Massacre e Os Quatro do Apocalipse.

  10. 18/03/2010 às 02:36

    Os 4 do Apocalipse eu tenho mas ainda não vi. Agora Tempo de Massacre? Nunca ouvi falar. Tem em dvd? Já Sela de Prata… Não vi também. E assim vc me desanima, Herax!

  11. 18/03/2010 às 12:31

    Sim, tem em DVD. É com o Franco Nero. Vale a pena procurar. Mas também lhe adianto que o spaghetti está longe de ser um gênero que Fulci tenha dominado. Com certeza ele se saiu bem melhor no giallo e no horror.

  12. caiolefou
    20/03/2010 às 02:41

    Os 4 da Apocalipse é uma das piores coisas que já vi, hehe. Agora esse aí deve ser mesmo sensacional.

    • 20/03/2010 às 11:24

      Bem, Caiolefou, pelo visto os ‘spaghetti’ dirigidos pelo Fulci estão longe de serem uma unanimidade quanto a qualidade. Acho que, como disse o Herax ká em cima, o negócio do homem era o horror e o macabro mesmo. E pode crer que The New York Ripper é, no mínimo, ótimo. Imperdível!

    • Davi OP
      21/03/2010 às 19:15

      Caio, “Os Quatro do Apocalipse” é um grande, grande, grande, grande filme. Daqueles que destroem vilarejos, estupram todas as mulheres do local, matam todos os homens do vilarejo e nove meses depois todos os homens novos do vilarejo são filhos dele. Esse é o tipo de filme que “Os Quatro do Apocalipse” é.

  13. Davi OP
    21/03/2010 às 19:17

    E concordo com o Herax sobre “Tempo de Massacre” e “Sela de Prata”. Uma das minhas várias próximas filmografias é completar a filmografia do Fulci (não vi alguns essenciais como o acima resenhado e “Premonição”) e rever os westerns, que fora “Os Quatro do Apocalipse” não revejo faz alguns anos. E assistir as comédias que me passaram batido.

    • 22/03/2010 às 11:27

      O Fulci dirigiu comédias??!!

      • Davi OP
        22/03/2010 às 21:54

        Sim, foi o gênero no qual iniciou a carreira, até o ponto de virada que foi “Lizard in Woman’s Skin”.

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