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Vítimas de uma Paixão


Em primeiro lugar é ótimo o mote desse filme: uma criminosa que, respondendo ao anúncios da ‘seção sentimental’ dos jornais, encontra-se com homens e depois os assassina na cama. Entra em cena, então, uma dupla de detetives, formada pelo insólito par Al pacino/John Goodman para investigar o caso. O primeiro tem uma boa idéia: publicar um falso anúncio para tentar chegar a alguma suspeita. É um plano meio mirabolante, visto o leque gigantesco de opções, porém o Frank keller vivido pelo Pacino, após se encontrar com várias ‘candidatas à suspeita’, acaba cruzando com uma loira reluzente e sensual (Ellen Barkin) e, à medida que se envolve e se  apaixona por ela, mais e mais indícios que condenam a moça pelos crimes investigados vão surgindo.

O que dá veracidade a um enredo que tinha tudo para cair em previsíveis clichês e faz desse Vítimas da paixão (Sea of Love, EUA, 1989) um grande filme? Primeiramente, a abordagem intimista da vida pessoal do detetive Frank keller, vivido pelo Pacino. Frank, a par de ser um policial, é somente mais um entre as centenas de milhares de solitários da grande metrópole. Recém-saído de um casamento fracassado, entrega-se à bebida e à isônia. Ao iniciar seu relacionamento com a misteriosa loira, vai sendo criada uma elaborada atmosfera de moderno filme noir. Temos uma Nova York fantasticamente filmada em grande parte em externas noturnas, que servem à perfeição para mostrar a vida solitária da sua fauna notívaga (sintetizada no breve e belo prólogo ao som vibrante e triste do saxofone do Trevor Jones).

Vitimas de uma Paixão, portanto, é acima de tudo um drama romântico com pano de fundo criminal. Não é um thriller propriamente dito, daqueles tão típicos dos anos de 1980. Pouquíssimas são as “cenas de ação”, há somente três tiros de revólver durante todo o filme (para se ter uma ideia). E nada de perseguições ou algo parececido. Todavia, contrariando nossas (piores) expectativas, o filme aos poucos vai crescendo diante de nós. Isso se dá sobretudo pelo envolvimento emocional do espectador com as grandes e inspiradas perfomances do casal da trama. Al Pacino e Goodman quando estão nos seus melhores dias (como é o caso aqui) dispensam apresentações. Entretanto, quem rouba a cena é Ellen Barkin. A moça nem é tão bonita. Mas sua interpretação é tão espontânea e eletrizante: ora descontraída, ora tensa (e acima de tudo sensual), que sua simples aparição em qualquer ponto do filme incendeia a tela! E com o aumento dos indícios de sua participação nos crimes investigados pelo seu namorado Frank Keller (Pacino), a tensão e o suspense só tendem a crescer.

A direção “invisível” e discreta de Harold Becker, esse artesão medíocre e burocrático da Indústria, nem tinha como comprometer a manipulação de elementos tão promissores. Provavelmente deve ser o melhor trabalho dele. Um “falso” thriller, é verdade. Porém tão ágil e envolvente, com um roteiro tão bem construído, simples, preciso e emocionante que ao fim só podemos, satisfeitos, bater palmas para esse “Supercine” de luxo!

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